File#2: Inauguração do 2º núcleo: Intervir no nosso tempo + Lançamento do Website e Publicação – FBAUL

Hoje inaugurou o 2º núcleo da exposição E se a política acabasse amanhã? Design e a construção de um futuro coletivo na Galeria da FBAUL.

Se o primeiro núcleo tratava de conhecer um tempo diferente – o tempo dos movimentos da contracultura dos anos sessenta e setenta do século XX – este novo núcleo trata da oportunidade de, agora, utilizar essa “bagagem cultural” para intervir no nosso tempo.

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Essa reflexão como condição indispensável ao projeto aplica a política no design e ajuda à criação de mensagens mais eficazes. Podemos então observar nos objetos editoriais lá expostos, essa preocupação.

Este núcleo, que vai estar presente na Galeria da FBAUL de 3 de novembro a 18 de novembro, tem como objetivo relacionar o passado com o presente. Os trabalhos lá presentes exploram o porquê dos jovens fazerem política, como fazem, se não o fazem e porquê, transpondo para a exposição um resultado impressionante. Nele dá-se destaque ao trabalho final do último ano (trabalho mais demorado, que demonstra aquilo que os distingue ao fim dos 3 anos) e a uma secção de trabalhos da unidade curricular opcional de Design Editorial. É também neste núcleo que se dá a inauguração do website e da publicação demonstrando estas formas diferentes de abordar a mesma narrativa. A publicação alcança o objetivo de fazer o paralelismo entre aquilo que é a política e o percurso destes finalistas na faculdade.

 O espaço estava bem organizado e coerente com o primeiro núcleo. A somar à galeria principal deste núcleo, apresenta-se a galeria da associação de estudantes com uma instalação interativa onde todos os que visitarem a exposição podem intervir expondo a sua opinião/ponto de vista, para que os finalistas possam ler.

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File#2: Conversa no Arquivo 237

Ontem, no Arquivo 237, deram-se as conversas organizadas pelos finalistas de design de comunicação da FBAUL.

Estas conversas consistem numa espécie de encontros (começados em 2012 a partir de um projeto de Constança Saraiva e Mafalda Fernandes em Lisboa), que têm como objetivo conhecer e falar sobre projetos, interesses ou histórias. Nessas conversas, encontram-se três oradores que conversam durante 30 minutos cada um. Dentro desse tempo, ou no fim, tem-se a oportunidade de intervir com questões ou reparos, tornando esses encontros em situações descontraídas e genuínas.

Nessa noite, mais três conversas foram apresentadas, a primeira com FLUXO (projeto que tem como objetivo atuar sobre a cidade de Lisboa e explorar a periferia nomeadamente o bairro da Cova da Moura) – Tudo isto à volta, a segunda com GUILHERME SOUSA – O que fazer? e a terceira com TOMÁS ANJOS BARÃO – Escola e Educação Política.

Destas três conversas, escolhi abordar apenas uma delas, sendo que, para mim, terá sido a que mais prendeu o público em geral. Essa conversa foi a do orador Guilherme Sousa, formado em Design de Comunicação, autor do blog Biomorphism, onde escreve principalmente sobre design, fundador, com Sofia Rocha e Silva, da revista online IP4, dedicada à cultura em Trás-os-Montes e participante no programa “Lojas com História” da Câmara Municipal de Lisboa.

O que fazer? Era a principal pergunta desta conversa, que falava sobre o que é o Design de Comunicação e como é que este trata a política.

Guilherme, começou por nos tentar explicar como é que o Design, que é uma coisa que à partida não tem qualquer tipo de dependência política ou necessidade política, pode ser considerado político? O orador para responder a esta pergunta explicou-nos que recorreu à leitura do debate entre os designers gráficos Win Crouwel e Jan van Toorn em 1972 no Museu Fodor em Amesterdão.

Este, foi um dos debates mais influentes na história do design pois tornou-se num confronto público entre a objetividade e a subjetividade do design. Jan Van Toorn tinha uma visão do design que era particular e que assenta na ideia de que o designer não é meramente um técnico que transmite uma mensagem, mas sim uma pessoa que pega num objeto, e transmite uma mensagem com vários significados mesmo que esses significados impliquem distorcer a mensagem original. Do outro lado, temos Win Crouwel que afirma que é claramente um técnico e diz que para quem pensa o contrário o melhor é mudar de curso. Estas duas visões do design deram o primeiro passo para que fosse possível ter esta discussão.

Para Guilherme, o facto do design ser para várias pessoas e mexer com a coisa pública faz dele uma coisa política. O designer, para complementar o seu discurso com um exemplo, ligou o tema com a música. Porquê a música? Esta junta os jovens num espaço de liberdade e alienismo, une as tensões dos jovens como um ímpeto de libertação que é muitas vezes irracional. Disse que “um concerto de rock, uma noite na discoteca, numa rave é a condensação perfeita de o sentimento de uma geração”, esses são momentos de comunhão e o que se tem vindo a perceber é que há um grupo de pessoas em Portugal que tem expandido o acesso cultural fora das grandes metrópoles como Porto e Lisboa. Esse acesso é proporcionado não com um processo que é apenas curadoria, mas com algo que é mais que isso: a vontade dos jovens praticarem a mudança. Barcelos foi um grande impulsionador para outras pequenas cidades em redor, nomeadamente no norte do país. Entre muitos outros pormenores que também passam por projetos mais ativistas, vai se criando o que é uma sociedade mais liberta e mais informada.

O que é que isto nos pede enquanto designers?

O essencial, diz Guilherme, é não desvirtuar o propósito inicial do trabalho do designer e ao mesmo tempo conseguir abraçar estes momentos mais gratificantes. O design nunca deve esquecer este caracter de prestação de serviço sabendo sempre a quem se destina. É preciso ter cuidado para identificar os problemas reais.

Com isto, Guilherme Sousa, termina assim a sua conversa deixando no ar este pensamento, de que é preciso design, é preciso sermos políticos.