START: Zero#Zero – Aerograma

Como primeiro trabalho, foi-nos proposto, no seguimento da visita ao Jardim Botânico Tropical em Belém e visionamento do filme Cartas da Guerra de Ivo Ferreira no cinema Ideal, que registássemos 3 imagens fotográficas e escrevêssemos um aerograma a enviar aos nossos pais. Essas 3 imagens teriam que transparecer aquilo que tínhamos sentido durante a visita e visionamento do filme. Uma seria para colocar no aerograma a ser enviado, outra teria de ser colocada no Instagram com a hashtag #dcmpstart2016 e outra a entregar aos professores.

Um aerograma é uma carta que se envia por correio aéreo, sem necessidade de ser subscrito. Foi inventada pelo literário Fernando Pessoa e tem uma tarifa diferente da que se envia por correio normal. Este foi um meio muito usado durante a Guerra Colonial para as famílias comunicarem com as tropas destacas em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, em virtude de ser um meio de comunicação gratuito, mantido pelo Serviço Militar Postal.

aerograma

 

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Visionamento do filme “Cartas da Guerra” de Ivo M. Ferreira

Na passada quarta-feira, dia 21 de setembro, no âmbito da unidade curricular de Design de Comunicação e Metodologia de Projeto, foi-nos pedido que visionássemos o filme Cartas da Guerra de Ivo M. Ferreira, no cinema Ideal (Chiado). O visionamento deste filme estava diretamente relacionado com a primeira atividade de projeto do programa Welcome (to) DC: a START: ZERO#ZERO.

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Frame de Cartas da Guerra, Ivo Ferreira, 2016

 

Cartas da Guerra usa as cartas de António Lobo Antunes, escritas quando o autor tinha sido enviado para Angola durante a Guerra Colonial de Portugal nos anos 70 para exercer a função de médico. O argumento usa as suas cartas, enviadas à sua esposa, para demonstrar o amor que sentiam um pelo outro, e dessa maneira Ivo Ferreira captura a vida conturbada de um soldado na guerra.

Através das cartas de António Lobo Antunes conseguimos ver nele um autor que domina totalmente uma linguagem robusta cheia de poder descritivo mas também uma linguagem intelectual completamente impulsionada pelas emoções sentidas. Ivo Ferreira, usa essas cartas de modo a não só ilustrar a dor da separação mas também para criticar a ditadura portuguesa que enviou soldados para combater em Angola.

A cinematografia, que passa pelas variadas cenas, desde António (Miguel Nunes) em viagem de barco até à paisagem angolana, aos horrores sangrentos provenientes desse conflito, é nos apresentada, durante todo o filme, a preto e branco e acompanhada da narração das cartas feita pelo destinatário, Maria José Xavier da Fonseca e Costa (Margarida Vila-Nova) de modo a provocar-nos automaticamente a sensação de um nó na garganta.

Para além de uma cinematografia que contribuí para o sucesso da narrativa, temos um conjunto de músicas provenientes de compositores do século 20 como Fernando Lopes-Graça e Gyorgy Ligeti.

Durante o filme, o autor vai sentir em primeiro lugar a saudade e o desejo de voltar a ver a esposa que, para além disso, estava grávida, para depois sentir, nos meses seguintes, a indignação e frustração que sente pela guerra porque esta não só o separou da sua esposa e filha mas também mata injustamente homens em função de um conflito desnecessário.

António descreve o seu ódio pela cor verde, permanente no traje militar, na paisagem e no acampamento, e apesar de Ivo Ferreira filmar todas as cenas a preto e branco, consegue transmitir-nos muito bem a sobrecarga do protagonista simplesmente juntando as imagens com as palavras. À medida que o filme vai avançando, notamos uma mudança clara no discurso, tornando-se completamente obcecado por Maria José.

 

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Frame de Cartas da Guerra, Ivo Ferreira, 2016