Sete Oitavos

FILME

Advertisements

Notas de Corvo, nº58

“Vivo no nº22 no Largo do Intendente. Durante o dia passa lá muita gente, durante a noite são mais as prostitutas quem me pede um cigarro. Essas não têm medo… Vítimas fáceis… Só quando não o faço à algum tempo é que as levo comigo. Pensam elas que é para trabalho..mas não.

Hoje, ao fazer a barba, quase me degolei. Vontade não me faltava, ouvia uma voz que dizia “não vales nada, nojento, MATA-TE! mata-te!” Fui para a rua ainda sangrava… estraguei mais uma das minhas camisas (desta vez, comigo), ainda bem que era de noite. Ninguém me viu, só os gatos nos telhados”

Quem é Duarte Corvo?

Duarte Corvo tem 27 anos e vive no Intendente. Aos 20 anos começou a ter alucinações e a ouvir vozes, nesse momento o seu comportamento mudou, sofria de esquizofrenia.

A esquizofrenia, como doença que desorganiza os processos mentais, causa-lhe problemas ocupacionais, afetando a perceção, as emoções e o pensamento. Assim, Corvo perdeu completamente a sua identidade e tornou-se um predador. Este Outro, vive a atualidade sem a sentir, acreditando que está nos anos 50 (uma obsessão que tinha com esse tempo), anda sempre de fato, com as calças suspensas por um par de suspensórios e gosta de deambular pela zona histórica de Lisboa em busca do seu prazer e de uma espécie de refugio.

Corvo, acredita ser um gangster envolvido em esquemas de proteção, chantagem e prostituição, embora não pratique mais do que homicídio. As vozes fazem-no ser agressivo, e como corvo que é, não se apercebe que as poucas pessoas que falam com ele se sentem atraídas pelo seu aspeto, o seu charme, e caem nas mãos de um assassino, que mata sem ter qualquer tipo de sensação. Mata porque sim. Justifica as suas mortes como sendo um osso do oficio.

É um homem com caracter individualista, não gosta de patriotismos nem se interessa por política,Corvo, foge de casa para tentar fugir aos seus demónios que se tornam mais fortes entre quatro paredes. Gosta de beber e fumar cigarros enquanto observa uma imensidão de gente. Escreve, mas escreve pouco, pois as alucinações não permitem que tenha um raciocínio conciso e sucinto.

Tem vícios e manias, isso também se vê na maneira como comete os seus crimes…

14886160_1185346758187978_1953903974_n

 

Corvo, Duarte Corvo

“Aparentemente sou O Outro. Isto tudo quando nem sequer sei quem realmente sou. Não gosto que me chamem gangster, sou um homem com princípios. Tenho os meus negócios e gosto de me vestir bem. Que mal vedes nisso?

Ao passar pelas ruas, sinto que já não são as mesmas, as vozes dizem-me que não e eu acredito, ás vezes não quero, mas acredito. Observo raparigas, mulheres, homens e velhotes… vós agis de maneira estranha… intriga-me, enxergo-vos a olhar-me, mas sou-vos invisível. É o que me parece, não quero saber. Tenho sede de whisky e sede de corvo. Talvez esta noite….falem só mais baixo…”

– Caderno de Corvo, nota 59

O Corvo

O corvo é um animal omnívoro, por vezes necrófago, de plumagem negra. Este animal, é dotado de inteligência e certos comportamentos comprovam isso, como exemplo, o facto deste animal projetar sementes para o meio da estrada de uma cidade, para quando não as conseguirem partir, os carros partirem.

8caad945b197e98d6317a7d59f440f47.jpg

Em todo o mundo, o corvo sempre teve grande valorização. A sua cor negra é associada à ideia de principio, a sua característica aérea associa-se ao céu, ao poder, ao criador, às forças espirituais, como que um mensageiro.

Um mito grego conta que o corvo era uma ave branca. Este tinha sido colocado por Apolo para servir de guardião à sua amada Coronis que, embora estivesse grávida, quando o corvo se descuidou, fugiu para trair o deus com Isquis. Por essa razão, Apolo castigou o corvo e tornou-o negro.

Outro mito grego, conta-nos que um corvo foi forçado a ir buscar água para uma cerimónia dos deuses mas, durante o caminho, atrasou-se por esperar que uma figueira, que já cobiçava à algum tempo, amadurecesse. Para castiga-lo, os deuses não lhe deram água durante todo o verão, o que lhe valeu a rouquidão do crocitar dos corvos.

gedc0080.jpg

Na Europa Cristã, o corvo deixou de ter uma boa conotação. Este, adquiriu uma simbologia sinistra e ligação aos maus espíritos. Shakespeare faz inúmeras menções ao corvo como ave agourenta: acreditava-se que o esvoaçar de um corvo a crocitar em redor de uma casa com alguém doente, era sinal de morte iminente. Esse relacionamento com a morte vem da sua característica de necrófago.

Na França, estes animais, eram considerados as almas dos padres e das freiras perversas. Na Alemanha, eram vistos como a reencarnação das almas condenadas. Na Dinamarca, pensava-se que se se visse um corvo com um buraco na asa, e se olhássemos através desse buraco, também nos transformaríamos num corvo.

ACTION#1 – Mapa de Emoções (exercício de desambiguação para a Prova de Contacto#2)

Este Mapa de Emoções tinha como objetivo demonstrar a nossa experiência emocional durante o percurso de casa até à Faculdade através de registos de natureza pessoal, como por exemplo, o que vimos, sentimos, ouvimos, etc. Estes eram transmitidos através da documentação de imagens recolhidas durante o percurso. Também deviam ser usados, preferencialmente, elementos como o desenho e o texto. As imagens recolhidas tinham de ser transferidas para o papel sem recurso à colagem, por esse motivo, foi usada a técnica do transfer.

Durante esse percurso, era também importante sentirmos o encontro com o nosso Alter Ego e fazer transparecer isso no Mapa de Emoções.

14800845_1182625125126808_481135873_n