File#2: Conversa no Arquivo 237

Ontem, no Arquivo 237, deram-se as conversas organizadas pelos finalistas de design de comunicação da FBAUL.

Estas conversas consistem numa espécie de encontros (começados em 2012 a partir de um projeto de Constança Saraiva e Mafalda Fernandes em Lisboa), que têm como objetivo conhecer e falar sobre projetos, interesses ou histórias. Nessas conversas, encontram-se três oradores que conversam durante 30 minutos cada um. Dentro desse tempo, ou no fim, tem-se a oportunidade de intervir com questões ou reparos, tornando esses encontros em situações descontraídas e genuínas.

Nessa noite, mais três conversas foram apresentadas, a primeira com FLUXO (projeto que tem como objetivo atuar sobre a cidade de Lisboa e explorar a periferia nomeadamente o bairro da Cova da Moura) – Tudo isto à volta, a segunda com GUILHERME SOUSA – O que fazer? e a terceira com TOMÁS ANJOS BARÃO – Escola e Educação Política.

Destas três conversas, escolhi abordar apenas uma delas, sendo que, para mim, terá sido a que mais prendeu o público em geral. Essa conversa foi a do orador Guilherme Sousa, formado em Design de Comunicação, autor do blog Biomorphism, onde escreve principalmente sobre design, fundador, com Sofia Rocha e Silva, da revista online IP4, dedicada à cultura em Trás-os-Montes e participante no programa “Lojas com História” da Câmara Municipal de Lisboa.

O que fazer? Era a principal pergunta desta conversa, que falava sobre o que é o Design de Comunicação e como é que este trata a política.

Guilherme, começou por nos tentar explicar como é que o Design, que é uma coisa que à partida não tem qualquer tipo de dependência política ou necessidade política, pode ser considerado político? O orador para responder a esta pergunta explicou-nos que recorreu à leitura do debate entre os designers gráficos Win Crouwel e Jan van Toorn em 1972 no Museu Fodor em Amesterdão.

Este, foi um dos debates mais influentes na história do design pois tornou-se num confronto público entre a objetividade e a subjetividade do design. Jan Van Toorn tinha uma visão do design que era particular e que assenta na ideia de que o designer não é meramente um técnico que transmite uma mensagem, mas sim uma pessoa que pega num objeto, e transmite uma mensagem com vários significados mesmo que esses significados impliquem distorcer a mensagem original. Do outro lado, temos Win Crouwel que afirma que é claramente um técnico e diz que para quem pensa o contrário o melhor é mudar de curso. Estas duas visões do design deram o primeiro passo para que fosse possível ter esta discussão.

Para Guilherme, o facto do design ser para várias pessoas e mexer com a coisa pública faz dele uma coisa política. O designer, para complementar o seu discurso com um exemplo, ligou o tema com a música. Porquê a música? Esta junta os jovens num espaço de liberdade e alienismo, une as tensões dos jovens como um ímpeto de libertação que é muitas vezes irracional. Disse que “um concerto de rock, uma noite na discoteca, numa rave é a condensação perfeita de o sentimento de uma geração”, esses são momentos de comunhão e o que se tem vindo a perceber é que há um grupo de pessoas em Portugal que tem expandido o acesso cultural fora das grandes metrópoles como Porto e Lisboa. Esse acesso é proporcionado não com um processo que é apenas curadoria, mas com algo que é mais que isso: a vontade dos jovens praticarem a mudança. Barcelos foi um grande impulsionador para outras pequenas cidades em redor, nomeadamente no norte do país. Entre muitos outros pormenores que também passam por projetos mais ativistas, vai se criando o que é uma sociedade mais liberta e mais informada.

O que é que isto nos pede enquanto designers?

O essencial, diz Guilherme, é não desvirtuar o propósito inicial do trabalho do designer e ao mesmo tempo conseguir abraçar estes momentos mais gratificantes. O design nunca deve esquecer este caracter de prestação de serviço sabendo sempre a quem se destina. É preciso ter cuidado para identificar os problemas reais.

Com isto, Guilherme Sousa, termina assim a sua conversa deixando no ar este pensamento, de que é preciso design, é preciso sermos políticos.

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Author: 60pontos5paicas

Communication Design at Fbaul.

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