Um cartaz por semana #4

Ver: Um cartaz por semana #3

Esta semana não passei por nenhum cartaz de que me apetecesse realmente falar, por isso decidi falar de um que vi no Porto da última vez que lá estive. Sendo que no momento em que o vi não tirei foto, decidi colocar uma imagem retirada da web. Eis o cartaz desta semana:

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Este, criado pelo Studio Dobra (estúdio de design gráfico sediado no Porto), serve de divulgação à peça de teatro “Os últimos dias da humanidade” de Karl Kraus, encenação de Nuno Carinhas e Nuno M Cardoso e tradução de António Sousa Ribeiro, realizada no Teatro Nacional São João no Porto. Esta peça contou com um calendário com várias partes relacionadas com o evento, eventos esses que decorreram de 27 de outubro a 19 de novembro.

O nosso olhar é captado pelo destaque a vermelho que nos apresenta o título da peça. As informações são apresentadas como que num jornal se apresentassem. A maneira como a pilha de jornais está exposta confere ao cartaz um certo dinamismo e movimento que, de certa forma, nos provoca um certo “rodopiar” do olhar. O jornal apresentado também se relaciona com o conteúdo do livro do qual esta peça de teatro interpreta, pois Karl Kaus, em “Os últimos dias da humanidade”, procurou captar o teatro de guerra como fantasmagoria tecnológica e discursiva através da montagem verbal e montagem cénica que se desenvolvem segundo uma lógica recursiva e centrífuga, capaz de dar ao horror dos atos, isto tudo transformado em notícias impressas, oratória militar, pregões, cenas de rua, etc.

A imagem escolhida para o jornal, também relacionada com a obra, sugere-nos essa fuga apressada dos “últimos dias da humanidade” devido à sugestão de velocidade que o cão leva no seu salto.

Local: Porto.

File#2: Design de Intervenção – Conversas com ex-alunos

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Foi ontem, dia 18 de novembro, que se deram por encerradas as atividades relacionadas com a exposição de finalistas de Design de Comunicação. A última atividade relacionada com a exposição foram as conversas, com ex-alunos da FBAUL, que tinham como tema principal o Design de Intervenção.

Nesta sessão de conversas tivemos a oportunidade de ouvir os oradores Diogo Dória e Ana Santos que nos trouxeram o projeto “#65”, Inês Fortunato que partilhou connosco o projeto “Eles fizeram o que não sabiam ser impossível” e, em último lugar, Susana António que nos veio falar do seu projeto “A avó veio trabalhar”.

Na primeira conversa, Diogo Dória e Ana Santos, ex-alunos da FBAUL e designers de comunicação, falaram-nos sobre o seu projeto “#65”. Este projeto, já realizado em 2013, foi um projeto de design social que tinha o intuito de intervir naquilo que era um dos problemas da altura: a demolição de bairros de construção ilegal. O bairro a quem se referia o projeto dos designers, era o bairro de Santa Filomena na Amadora. A Câmara Municipal decidiu iniciar as demolições no bairro com o objetivo de realojar a sua população, essa que se contestava pois teria de abandonar as suas casas. Muitas famílias não pertenciam ao protocolo de realojamento o que significava que iram ter de viver na rua. O trabalho destes designers, passou por um processo de reconhecimento das pessoas do bairro, vivendo de forma solidária o drama, ouvindo estas histórias e fotografando estas pessoas. Estas imagens, eram o reflexo de cada casa demolida, então, foram ampliadas a preto e branco e colocadas numa dimensão enorme, nas fachadas das casas que a Câmara Municipal da Amadora ainda pretendia demolir.

Apesar do projeto ter tido bastante impacto, até por parte dos media, o bairro de Santa Filomena foi na mesma demolido, e estas famílias realojadas noutras casas, noutros sítios. Embora tenha acontecido, Diogo e Ana, fizeram o que estava ao seu alcance.

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Chegou a vez de Inês Fortunato, também ex-aluna da FBAUL e designer de comunicação, falar sobre o seu projeto de final de curso: “Eles fizeram o que não sabiam ser impossível”.

O projeto tinha como objetivo a criação de uma rede local de divulgação e dinamização de recursos comunitários em Fernão Ferro, no Seixal. Esta é uma freguesia suburbana rural de génese ilegal. A maioria dos seus habitantes eram de origem rural e queriam viver nos arredores de Lisboa. Esta afluência acabou por gerar uma malha de terrenos retangulares completamente fechada sem espaço para infraestruturas de serviços públicos. Apesar disso, esta é uma localidade que sempre se envolveu em muitos movimentos associativos com o intuito de tentar legalizar aqueles terrenos e também desse modo obterem melhores condições e saneamento. Esses movimentos deram origem a organizações, à criação da Freguesia e a outras instituições de serviço público. Uma das associações é a Unidade de Saúde Familiar, que organiza uma série de projetos de voluntariado. Inês Fortunado interveio abrindo portas para o que poderia ser a solução destes problemas que pareciam persistir mesmo com a existência destes projetos: era preciso sensibilizar os moradores para a situação dos vizinhos e promover a entreajuda.

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A designer, sugeriu a elaboração de uma plataforma que interligasse umas instituições às outras e a grupos com quem trabalhavam, que redirecionasse recursos de uns projetos para outros. E assim se sucedeu a criação de uma plataforma online associada ao site da Junta de Freguesia que: divulga projetos, divulga recursos comunitários e divulga e recebe as inscrições para atividades. Também a criação de panfletos com diversa informação relativa a subsídios e outros apoios disponibilizados pelas instituições da rede e, para além disso,  a coordenação e gestão dos voluntários bem como a sua organização.

Após a aprovação deste projeto pela Rede Social do Conselho do Seixal e por outras identidades, Inês Fortunado cumpriu, no fundo, a sua missão, sendo convidada a apresentar este projeto nos mais variados sítios, transmitindo-nos toda a sua experiência num registo muito informal mas adequado.

Para finalizar, ficámos a conhecer a Susana António, Designer de Equipamento, também formada na FBAUL. Susana e o seu colega psicólogo Ângelo Compota, estão à frente de uma série de projetos mas nesta sexta-feira veio falar mais um pouco daquilo que é o “A Avó veio trabalhar”.

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Susana, sempre desenvolveu um carinho pelo design social e em especial com a área do envelhecimento. Graças à força que este exercia na vida da designer, nasceu a Fermenta (associação que usa o design como ferramenta de inovação social) que acredita no design enquanto ferramenta de transformação e capacitação. “A Avó veio trabalhar” é um dos projetos relacionados com a Fermenta. Neste as avós produzem coleções de moda, estimulando o envelhecimento ativo, através de atividades e ofícios que eles próprios tinham enquanto jovens. Estes avós desenvolvem peças/trabalhos desde o bordado tradicional ao tricot, ao tear, à serigrafia e até ao crochet e destas técnicas já nasceram coleções de luvas, tapetes e até almofadas. Desta forma, Susana e Ângelo destroem estigmas trazendo-os a uma vida ativa novamente. Design também é isto.

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“A Avó veio trabalhar” já esteve presente no festival Bons Sons em Cem Soldos, já foi reconhecida como Melhor Ideia do Ano pela Time Out em 2015, faz atividades de workshop e expõe trabalhos não só nas lojas mas também em museus.

Esta sessão de conversas terminou com uma pergunta: “Então e o avô?” Susana disse que esse é o próximo desafio: alargar o espaço para o avô vir trabalhar também.

Um cartaz por semana #3

Ver: Um cartaz por semana #2

Todos os dias, seja a caminho da faculdade ou a caminho de casa, deparo-me com vários cartazes que gostaria de comentar. Eis o cartaz escolhido para a terceira semana:

 

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Este cartaz é um cartaz publicitário à marca de gin GORDON’S. Assim que olhamos para o cartaz o nosso olhar é automaticamente direcionado para a cor azul que se encontra em maior quantidade com a intenção de nos fazer ler a frase “You, me, gordon’s & tonic”. É esse o seu ponto de partida.

As cores escolhidas para esta composição, para além de serem as cores da tampa da garrafa, fazem com que associemos que os dois copos de Gordon’s estão juntos a ver o pôr do sol (que está implícito através da rodela de lima que se encontra entre o amarelo e o azul), para que associemos que esta é uma bebida que também sabe bem se bebermos acompanhados, num belo fim de tarde. A sombra dos copos colocada num ângulo a que associamos alinhado com a lima/sol também contribui bastante para esta concretização. Poético, não parece? Tudo graças à junção destes elementos que à primeira vista nos parecem muito simples e com o slogan na parte inferior do cartaz: “Gordon’s…Shall we?”.

Localização: Alameda.

 

File#2: Já temos fascículo histórico

Em virtude do File#2, que nos pede a criação de uma publicação por fascículos da exposição dos finalistas de Design de Comunicação, foi nos pedido que procurássemos e adquiríssemos um fascículo histórico para que, a partir das suas características formais e história do objeto, criássemos as nossas brochuras. Nesse sentido, eu e o meu grupo (Ana Luísa Pereira, Carolina Pena e Diogo Lourenço) tratámos de encontrar um fascículo histórico.

O nosso fascículo histórico a analisar pertence à coleção dos anos 40 do séc.XX “Terras Portuguesas” editada pela Shell Portuguesa S.A.R.L., sob a direção de Joaquim de Mattos Sequeira. Esta publicação por fascículos é constituída por, pelo menos, XV fascículos, cada um de 16 páginas ilustradas com fotografias a preto e branco.

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Alguns fascículos da coleção Terras Portuguesas

 

O fascículo que iremos analisar é, precisamente, o numero I desta coleção, e nele encontramos textos de Gustavo de Matos Sequeira, jornalista, escritor Olissipógrafo e político. Gustavo também participou em outras publicações por fascículos como por exemplo a “Gazeta dos Caminhos de Ferro”, “Illustração Portugueza”, “Panorama” entre muitas outras.

Este primeiro número tem como tema o Ribatejo. É um documento de uma época que ainda tinha a ideia de que a bacia hidrográfica do Tejo, constituía a ossatura líquida da Região. Este é também uma homenagem à ruralidade, à faina fluvial e a toda a atividade daquela zona. A modo de convite, quase como um guia turístico, toda a gastronomia, produção vitivinícola, observação da paisagem, locais de interesse e abastecimento é apresentada no fascículo.

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Algumas especificações gerais:

Coleção: Terras Portuguesas; Nº Fascículo: 1, Ribatejo; Editora: Shell Portuguesa S.A.R.L.; Encadernação: Brochura; Nº de Páginas: 16; Peso: 40 gramas; Temática: Monografia; Idioma: Português.

 

File#2: Chegou o momento de construir – Performances + Apresentação da Publicação e do Website

O que estava previsto acontecer na Galeria de Belas-Artes, acabou por acontecer no piso -1, na zona do antigo bar da FBAUL, no mesmo dia e à mesma hora. Chegou o momento de construir, e talvez essa mudança se tenha dado devido à afluência do público.

Desta vez, os finalistas de Design de Comunicação da FBAUL deram-nos a conhecer com mais detalhe o Website e a Publicação, intercalando esses momentos com três performances. Estes, apresentam um pouco daquilo que foi o ponto de partida e de chegada do percurso destes alunos, quando confrontados com o tema “E se a política acabasse amanhã?”.

Para começar, o Website. Este, com o nome de eseapolitica (por motivos de tornar o link não muito extenso), esteve sempre presente desde o início, sendo construído simultaneamente com a construção das próprias narrativas e, também, paralelamente à Publicação.

O principal objetivo do modo como este website foi construído, era que o utilizador se sentisse no papel de um explorador e fosse ele mesmo a procurar de maneira aleatória o seu conteúdo, sem ter necessariamente, logo de início, acesso a toda a informação, despertando uma necessidade de descobrir. Assim, o utilizador tem a hipótese de escolher, de acordo com a sua vontade, um dos três capítulos (O Abismo e as Vertigens; A Queda Livre; No Fim, Um Começo) que se encontram na primeira página do website. Desta maneira, os alunos contrariam um pouco aquilo que é a Publicação (que apresenta uma ordem sequencial). À medida que abrimos cada um dos capítulos temos imediatamente acesso às narrativas correspondentes e às unidades curriculares que os envolvem.

Num menu a que temos acesso no canto superior direito, temos ainda oportunidade de ver uma breve apresentação e amostra do que é a Publicação, seguindo-se de uma lista dos alunos que participaram neste projeto. Dentro desta lista de alunos, se carregarmos num dos nomes, temos ainda acesso aos seus portefólios, contactos e participação nos mais variados trabalhos e narrativas. Também neste Website, temos a oportunidade de poder efetuar uma visita virtual diretamente aos dois núcleos da exposição e, ainda, ler as opiniões dadas pelos visitantes e participantes da instalação interativa instalada no segundo núcleo, o da Galeria de Belas-Artes.

Posto isto, era momento de clarificar o que era realmente a Publicação. Esta, na capa, apresenta uma série de pontos enumerados com o intuito de dar a conhecer as temáticas que deram origem a todo o trabalho existente dentro da Publicação. Dividida em duas partes: uma onde constam narrativas dos professores e com o enunciado que se tornou o ponto de partida para todo este trabalho; outra parte onde se encontram os trabalhos dos inúmeros colegas ao longo do que foi este percurso.

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A segunda parte da publicação divide-se nos mesmos capítulos que o Website: O Abismo e as Vertigens (que acaba por se relacionar com o primeiro ano de licenciatura no curso; os medos, a dificuldade em reagir, etc), A Queda Livre (que acaba por ser o momento em que se apercebem e aprendem a reagir) e, por fim, No Fim, Um Começo (Intervir no nosso tempo). Entre estes aparecem os enunciados dados pelos professores, fazendo então a ligação com os vários subtemas.

“Esta narrativa tem origem na enunciação de Daniel Innerarity que encontra na vontade de descobrir, compreender e transformar o fundamento da política. Estas ações são a força disruptiva que age contra o fatalismo de que nada pode ser feito, que só nos resta confiar que outra pessoa ou que uma força qualquer saiba conduzir uma vida que foi herdada num corpo que não é o seu.”

Esta publicação é diferente de um objeto de apoio à exposição dos finalistas, pois funciona por si só. É também muito diferente das publicações de outros anos, pois trata os assuntos por uma ordem lógica e não apenas separada cronologicamente por unidades curriculares. Nela encontramos também trabalhos que foram fruto do workshop por eles realizado.

A Publicação pode ser adquirida por todos aqueles que tiverem vontade de a ver e obter.

Intercalando estes dois momentos de apresentação, aconteceram três performances. As duas primeiras, momentos mais narrativos do que expressivos; a terceira e última performance, teve lugar na Galeria de Belas-Artes. Esta teve um caracter mais expressivo e interagiu diretamente com o público. Todas as performances apresentam os pontos de partida e de chegada do percurso destes alunos, quando confrontados com as dimensões da política.

Um cartaz por semana #2

Ver: Um cartaz por semana #1

Todos os dias, seja a caminho da faculdade ou a caminho de casa, deparo-me com vários cartazes que gostaria de comentar. Eis o cartaz escolhido para a segunda semana:

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Este é um cartaz de informação relativo aos treinos da equipa de polo aquático da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico.

Penso que, num todo, é um cartaz equilibrado, que apresenta como fundo, uma fotografia de composição horizontal que nos apresenta o horizonte na linha do terço inferior embora o enfâse continue direcionado para a água.

O circulo/ponto amarelo (que remete para a bola do polo aquático), direciona-nos o olhar diretamente para a parte inferior do cartaz seguindo para os caracteres de título: isto acontece devido ao homem que se prepara para atirar a bola nos sugerir esse movimento (conseguimos imaginar uma linha diagonal em direção aos caracteres da parte superior do cartaz).

Este cartaz foi encontrado no Pavilhão de Engenharia Mecânica no IST, na Alameda. Duvido que se consiga encontrar em mais algum sitio. Lanço o desafio.